O LABIRINTO DAS CAIXAS
Por algum tempo, fui fascinado por mapas complexos. Escrevi sete obras explorando o gnosticismo, desvendando arquiteturas ocultas, prisioneiros, arquitetos e estruturas de controle. Parecia a chave definitiva para decifrar a maquinaria do mundo.
Mas então, aconteceu o que sempre ocorre quando a mente nunca para de processar dados: a própria resposta se transformou em uma cerca.
Você desmonta uma crença, acha que encontrou a liberdade e percebe que acabou de se mudar para uma caixa um pouco maior — a caixa de ser livre de todas as caixas. É a velha história da serpente mordendo a própria cauda. Se tudo o que pensamos, escrevemos e articulamos depende da linguagem, será que um "lado de fora" da estrutura sequer existe, ou estamos apenas redecorando o labirinto?
Deixo esta pergunta em aberto, porque a minha própria trajetória tem sido um exercício contínuo de demolição. O que escrevi ontem cumpre o seu propósito como literatura e como um mapa para aqueles que habitam aquela fase, mas as perguntas continuam a avançar.
Vamos olhar para o ponto cego primordial, aquele que faz a maquinaria mental travar:
O que havia antes de qualquer início? Se viemos do nada e voltaremos ao nada, quem ou o que gerou o vazio?
A consciência pré-existe ao hardware biológico, ou é apenas um lampejo eletroquímico acidental que, quando a lareira se apaga, simplesmente cessa sem deixar vestígios?
Se a busca por uma "origem absoluta" é um ciclo sem fim — um verdadeiro Ouroboros lógico —, por que gastamos tanta energia tentando encontrar uma resposta final em vez de olhar puramente para o tabuleiro do agora?
Não trago dogmas para fechar estas portas; trago hipóteses para a mesa de debate.
Talvez a verdadeira maturidade intelectual não seja encontrar a resposta certa, mas aceitar que o pensamento é um processo vivo e mutável, sem garantias cósmicas. Se as certezas do passado já não me servem, o que resta é o espaço bruto da investigação, o pragmatismo de viver em 3D com inteligência e a liberdade de usar a escrita não como um altar de verdades eternas, mas como um fórum aberto para a exploração.
A mesa está posta. Como você lida com isso? * Você sente a necessidade de encontrar uma resposta definitiva para o pós-morte e a origem de tudo, ou aceitou viver com o ponto cego?
Até que ponto as suas certezas de hoje são apenas caixas confortáveis esperando para serem despedaçadas amanhã?
Deixe sua perspectiva nos comentários. O debate está aberto. E o livro Labirinto das caixas esta na Amazon versão ebook e paperback.
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